terça-feira, 26 de junho de 2012

Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa 2012




PORTUGAL: Marcha LGBT em Lisboa

Sábado, 23 de Junho, o Príncipe Real em Lisboa voltou a pintar-se de múltiplas cores para celebrar a 13ª Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa. 
Aqueles mais pontuais foram presenteados com a animação do coro londrino "Pink Singers", enquanto os restantes marchantes à boa maneira lusitana iam chegando mesmo em cima da hora. Passados cerca de trinta minutos da hora marcada sentia-se as primeiras agitações no sentido de dar início efetivo ao desfile. Os "mestres de cerimónia" iam alinhando os diferentes coletivos, enquanto o carro de som aumentava o volume e a precursão dava os primeiros arrufes. Iniciava-se desta forma a Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa 2012, que do jardim do Príncipe Real ia percorrer as ruas de São Pedro de Alcântara, Rua da Misericórdia, Rua Garrett e Rua do Carmo, para na parte final atravessar a parte baixa da Praça do Rossio e terminar na Praça da Figueira. Nesta praça concentraram-se em frente ao carro de som, puderam assistir à leitura resumida do manifesto e aos discursos proferidos pelas diferentes entidades que organizaram esta edição.

DISCURSOS: 

Margarida Faria da Amplos (Associação de Mães e Pais pela Liberdade da Orientação Sexual) reforçou a razão da presença desta associação na Marcha, expressando que muitas vezes é preciso fazer das fraquezas forças na defesa dos filhos e filhas dos pais que fazem parte da Amplos, e num jeito quase de desabafo diz em relação a esses pais "o que alguns andaram para aqui chegar", mostrando assim que é um caminho muitas vezes difícil, mas que é de certeza mais fácil quando constantemente trabalhado e partilhado por todos os intervenientes.

Nadia da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) e uma das organizações não-LGBT mais antiga destas andanças, não deixou de fora a importância de marchas como esta existirem e da dedicação da UMAR em fazer parte delas.

De Coimbra veio Ana Cristina Santos que pela Associação Não Te Prives, que começa por salientar que temos alguma coisa que festejar, mas ainda temos muito porque dizer não: não à desigualdade, não à discriminação, não ao preconceito. Ainda não temos o respeito por todos os nossos direitos, e por isso estamos atentos para denunciar todas as formas de discriminação.

O Poly-Portugal, na voz de Alistair, fez referência que embora estejamos em crise, essa crise é económica e não de afetos, não no amor. "Os beijos não se esgotam" disse, tal como não se esgotam segundo as suas palavras, as possibilidades de relações afetivas e amorosas entre duas ou mais pessoas.

Cátia da rede ex aequo, salientou que recentemente a comunidade havia dado um passo pequeno, mas mais um passo, com a aprovação em concelho de ministros do estatuto do aluno e ética escolar, onde é referido o respeito devido por todas as orientações sexuais dos alunos, e este passo só foi pequeno porque nesse mesmo estatuto não se lê o mesmo respeito pela identidade de género.

Uma estreia nas lides da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa, foi a presença da Associação de Alunos do ISCTE representada pelo João, que exaltou a homofobia e o machismo vivido no meio universitário, com especial referência (em bom vernáculo) a diversos cânticos utilizados durante as praxes.

Quase no final das intervenções, Letícia, falou-nos pela APF (Associação Planeamento Familiar), amplificando a falta de informação correta, isenta e esclarecida dos meios disponíveis nomeadamente na procriação medicamente assistida, salientando a necessidade de um discurso livre de preconceitos e julgamentos baseados em valores pessoais.

Terminou estas intervenções a representante da ILGA-Portugal, Júlia, que agradeceu a presença do grupo coral britânico "Pink Singers" e anunciou a festa que a sua associação ia ter no Teatro do Bairro onde estaria presente o referido grupo coral mas também o coro da ILGA e mais animação.

Faradiva encerrou os dicursos no papel de marketing na promoção da festa da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa que iria decorrer no Teatro Aberto, em Santos e convidando todos também a permanecerem ainda na Praça da Figueira pelo tempo que quisessem com o DJ a animar as hostes.


http://www.portugalgay.pt/extra/lisboa2012/

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Contradição: APOGLBT x Datafolha


Desde 2007, a manifestação vem atingindo a média de 3,5 milhões de participantes, porém, a partir desta edição, a APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo), entidade organizadora, decidiu por não divulgar números oficiais. Mas diante do cálculo apresentado pelo Datafolha na segunda-feira (11), a organização vem a público expressar que discorda dos resultados e questiona o método aplicado.

A decisão da APOGLBT por não realizar a contagem deve-se pelos seguintes motivos:

1) Nos primeiros anos, enquanto a principal reivindicação do movimento era o reconhecimento da população LGBT através da promoção da visibilidade, foi de extrema importância o registro de quantas pessoas participavam da Parada e seu expressivo crescimento a cada ano. Conquistado esse reconhecimento, os esforços estão voltados para a efetivação de políticas públicas e avanços legislativos que garantam a cidadania e os direitos humanos. Tendo em consideração que as seis últimas edições mantiveram a mesma margem de público, a contabilização deste índice torna-se uma demanda secundária.

2) Não há compromisso firmado entre a APOGLBT, os patrocinadores e apoiadores da manifestação que estabeleça uma meta de público a ser atingida, nem mesmo é exigido que a quantidade de participantes seja relatada em caráter de prestação de contas. Por conseguinte, a medição de público vem sendo, nos últimos anos, uma solicitação de interesse exclusivo da imprensa.

3) A cada edição, a Parada do Orgulho LGBT traz um tema que reflete diversas reclamações do movimento, sendo as prioridades atuais a criminalização da homofobia em âmbito nacional através da aprovação do Projeto de Lei da Câmara 122 de 2006, o reconhecimento efetivo das famílias compostas por casais homoafetivos e a aplicação do projeto Escola Sem Homofobia e demais iniciativas que insiram o respeito às diversidades no ensino. Diante disso, a organização observa que o anseio por parte da mídia quanto ao número de integrantes tem dividido o foco da difusão de nossos principais objetivos.

Com o esclarecimento de sua estratégia e reafirmando que em nenhum momento seus membros anunciaram dados oficiais sobre a contabilidade dos participantes, a APOGLBT apresenta argumentos que denotam equívocos nas informações publicadas pela Folha de S.Paulo, que em matéria de capa diz que a 16ª Parada reuniu 270 mil pessoas, segundo método desenvolvido e aplicado pelo Datafolha.

Ineditismo, área e período 


Na página C1 de sua edição do último dia 11, o jornal afirma que “pela primeira vez na história, a manifestação teve uma medição de público com caráter científico”, o que não é verdade. Em 2006, representantes do Guinness World Records (Livro Guinness dos Recordes), com sede em Londres (Inglaterra), estiveram em São Paulo a convite da APOGLBT para realizar a contagem do público presente na 10º Parada, através de rigorosos requisitos com padrões internacionais. 

Ao final, os pesquisadores concluíram que a manifestação teve a participação de 2,5 milhões de pessoas, o que conferiu à Parada paulista o título de The Biggest Pride Parade Of The World (A Maior Parada do Orgulho LGBT do Mundo).

Portanto, tanto a Folha quanto o instituto negligenciam o trabalho do Guinness e ainda subestimam a contagem realizada por uma organização renomada em todo o planeta, conhecida por sua seriedade e rigidez nos critérios de avaliação.

Além disso, de 2008 a 2010, a APOGLBT também realizou o cálculo através de método científico com base na engenharia hidráulica. A organização utilizava imagens aéreas fornecidas pela Polícia Militar e considerava o fluxo e rotatividade de público, tendo como área ocupada para pesquisa o final da Rua Vergueiro, a Avenida Paulista em sua extensão, início da Avenida Rebouças, Rua da Consolação, Avenida Ipiranga até a Praça da República, Largo do Arouche e todas as vias transversais e adjacentes deste espaço, no período das 10h (início da concentração) às 20h (prazo máximo de para liberação das interdições).

Como consta na página C4 do jornal, a área analisada pelo método do Datafolha vai do número 1578 da Avenida Paulista (MASP) – o que omite do registro quase a metade da via – até a Praça Roosevelt. Isso representa, no máximo, um terço do espaço considerado pela contagem da APOGLBT. O período de campo do instituto também é menor, das 11h30 às 18h – três horas e meia a menos que o da organização.

Para comparação, ocupando um espaço de aproximadamente 1,2 km, a festa de réveillon na Avenida Paulista anuncia receber 2 milhões de pessoa, mais da metade do que a margem de público da Parada, em cerca de uma área pelo menos 7,5 vezes menor.


Contradições

Segundo levantamento realizado pela São Paulo Turismo (SPTuris), empresa da Prefeitura, a Parada do Orgulho LGBT de 2011 recebeu mais de 600 mil visitantes, entre do habitantes do estado, de outra regiões do país e estrangeiros – número superior em 122% do que o total de participantes contabilizados pelo Datafolha –, o que classifica a manifestação como o maior atrativo turístico da cidade. Com a estimativa de que o número se repita neste ano e mesmo considerando que nem todos que vem a São Paulo no período participam diretamente da Parada, o valor apresentado pelo instituto é, no mínimo, incoerente.

Dos 270 mil anunciados pela reportagem, 40% seriam de fora de São Paulo. O valor significa que 108 mil turistas participaram da Parada. Isso representa que apenas 18% da expectativa registrada pelo levantamento oficial da SPTuris teriam, de fato, comparecido à Avenida Paulista no último domingo.

Outro dado da empresa municipal é que a 15ª Parada registrou recorde de arrecadação aos cofres públicos, somando um retorno de R$ 206 milhões em carga tributária, ficando somente abaixo do circuito de Fórmula 1. Esperando que esse montante se repita e calculando simbolicamente a média de gasto individual dos participantes da manifestação sobre o levantamento do Datafolha, a contribuição seria de quase R$ 793,00 por pessoa.

A SPTuris aponta ainda que 47,7% dos integrantes da Parada possuem renda familiar entre R$ 545,00 e R$ 2.725,00, o que torna mais uma vez questionável a estimativa do instituto do Grupo Folha.

E por fim, o último questionamento da organização se dá sobre os resultados da operação Parada Limpa, da Prefeitura de São Paulo, que recolheu durante e a após o término da manifestação 117 toneladas de lixo (106 toneladas na varrição e 11 toneladas de material reciclável). Se a informação de que 270 mil pessoas estiveram presentes for verídica, significa que cada manifestante foi responsável pela produção média de 433 gramas de lixo.


Números relevantes


Para a APOGLBT, os números realmente relevantes foram os divulgados pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM) e pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), que solidificam a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo como a atividade pública de grande porte mais pacífica e tranquila do estado. Conforme a PM, foram registradas apenas oito ocorrências de furto e roubo, índice que em 2008 e 2009 havia ultrapassado 140 casos.

Nesta 16ª edição, 106 participantes precisaram ser socorridos pelos profissionais dos postos médicos, número aproximadamente quatro vezes menor se comparado com a Parada anterior, quando foram atendidas cerca de 400 pessoas. Essa redução é um reflexo do primoroso trabalho da GCM, que interceptou a venda ilegal na região e recolheu mais de 22 mil produtos irregulares – contra 19,7 mil em 2011 – entre eles, 3,5 mil garrafas de vinho químico.

A organização considera-se extremamente satisfeita com a realização da Parada, pois o nosso principal objetivo foi alcançado. Durante todo o 16º Mês do Orgulho LGBT de São Paulo, apontamos a vulnerabilidade dos LGBT enquanto grupo minoritário com direitos constantemente ceifados, promovemos o debate político para a inclusão em todos os setores da sociedade, ocupamos os espaços públicos para reivindicar respeito e igualdade e valorizamos a autoestima de milhares de pessoas que ainda se encontram à margem da cidadania.


E de todos os valores apresentados ao longo desses dias, os que verdadeiramente nos importam são os dados subnotificados da violência homofóbica no Brasil, que mata um LGBT a cada 33 horas. De nada adianta termos a maior Parada do mundo se ainda somos o país líder em crimes de ódio, respectivos à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.