quarta-feira, 13 de junho de 2012

Parada Gay!




Parada Gay 2012 chega à sua 16ª edição na Avenida Paulista, dia 10 de junho, às 12h, com o tema escolhido por votação em um concurso nas redes sociais: Homofobia tem cura: educação e criminalização! – Preconceito e exclusão, fora de cogitação!.
A atração reivindica a aprovação do PLC 122 e distribuição do kit anti-homofobia nas escolas. Como de costume, há uma programção GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis) durante todo o mês que antecede a Parada.
De acordo com a SPTuris, empresa de turismo de São Paulo, a atração é o segundo maior evento da cidade em termos financeiros - só perde para a Fórmula 1.
São mais de 400 mil turistas que visitam a cidade deixando mais de R$ 180 milhões no comércio local. Na edição passada, 16 trios elétricos e um público estimado em 4 mihões de pessoas tomaram conta da avenida.
O percurso começa ao meio-dia, segue pela Rua da Consolação até à Praça Roosevelt, onde o último trio deve se dispersar por volta das 19h.

Sobre o PLC 122:

Neste domingo (10), durante a 16ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, haverá um ato intitulado #AÇÃONAPARADA, cujo objetivo é reivindicar a aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122 de 2006 em sua redação original. Convocado através das redes sociais, o grupo formado por militantes independentes vai se reunir na esquina da Avenida Paulista com a Rua Frei Caneca, a partir das 11h.

Segundo um dos organizadores, Marcos Morcef, “a ideia é agregar pessoas [para a causa]”, através da distribuição de adesivos e materiais explicativos sobre o Projeto. A nota divulgada pelo grupo pede para que os interessados em participar levem “faixas, cartazes, bandeiras, amigos, organizações, ideias e bom humor”.

De autoria da ex-deputada federal Iara Bernardi (PT-SP), a primeira versão do texto foi apresentada na Câmara dos Deputados em 2001 sob o número 5003/2001. Com sua aprovação em 2006, a proposta de Lei passou a tramitar no Senado sob a relatoria da então sanadora Fátima Cleide (PT-RO) e, a partir de 2011, pela senadora Marta Suplicy (PT-SP). Durante todo esse período, o PLC enfrenta forte repressão das bancadas conservadoras – principalmente as religiosas -, que não medem esforços para barrá-lo.

Desde sua aprovação pela Câmara, o PLC 122/2006 passou a ser a principal demanda do movimento LGBT brasileiro. A reivindicação está presente no tema da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo em suas seis últimas edições, incluindo nesta que se realiza amanhã: “Homofobia tem cura: educação e criminalização!”.

No último ano, Marta Suplicy propôs articular com representantes da bancada opositora uma nova redação do PLC, a fim de diminuir a resistência para a votação. Porém, a texto substitutivo foi criticado por diversos ativistas do movimento LGBT, que o consideram brando e menos abrangente.

Na última sexta-feira (8), durante a entrega do 12º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, a assessora de Marta, Montserrat Bevilaqua, esteve presente afirmou que a senadora atendeu aos protestos da militância e vai retomar o texto original do Projeto, apresentado por Bernardi. Agora resta a expectativa para que a votação ocorra o mais breve possível e que o PLC 122/2006 seja finalmente aprovado.

Confira o manifesto-convite divulgado para a #AÇÃONAPARADA pelo PLC 122 abrangente: 

#AÇÃONAPARADA 
Pelo PLC 122 com criminalização ABRANGENTE da homofobia:
- na agressão verbal
- na agressão física
- na repressão das manifestações públicas de afeto
... - no discurso de ódio
- na incitação ao ódio
- com penas de 2 a 5 anos (equivalentes às do crime de racismo)
Pelo Ensino Laico e Estado Laico de Fato!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Homossexual sem pré-requisitos


CRÍTICA: 'Avenida Brasil' trata homossexualismo sem caricaturas

 

Numa divertidíssima cena de “Avenida Brasil”, Leleco (Marcos Caruso) expressou para Diógenes (Otávio Augusto) sua preocupação com o suposto meio-irmão de Tessália (Débora Nascimento). A moça garantiu que ele era gay, mas não o convenceu. Tudo porque o sujeito não preenche os requisitos que Leleco considera indispensáveis. Foi como disse, indignado, a Diógenes: “Ele queria me ensinar a fazer chuleta na brasa. Agora comenta futebol. Me diz, isso lá é um gay que se apresente?”. Igualmente confuso, o amigo ponderou, apelando para os motivos de força maior: “Concordo que é uma coisa meio estranha, mas o mundo está mudando, faz frio no verão, faz calor no inverno. Tem homem que dança balé e não é gay. Tem gay que comenta futebol. Temos que aceitar...”.
Em “Avenida Brasil”, o que para o malandro é um axioma indiscutível — gay não comenta futebol nem sabe fazer churrasco — para parte do público soa apenas como caricatura. E nessa história, a caricatura em evidência é a do machista incorrigível, do pensamento conservador, da boçalidade e até da ingênua ignorância. Os personagens homossexuais desta vez — diferentemente do que ocorreu em outras novelas — passam longe da representação burlesca. É o caso de Roni (Daniel Rocha). Sem lição de moral, sem militância nem campanha, “Avenida Brasil” prefere o caminho do humor refinado. E, como todo mundo sabe, o humor é uma ótima via para a reflexão. E o refinamento não tira pedaço de ninguém.